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A natureza nûa, e as graças vivas

Com doiradura e joias cobrem tudo.
Os adornos escondem falta d'arte:
Verdadeiro juizo, he natureza
Com garbo, e com ventagem revestida
O que todos pensarao, ninguem dice.

O quer que seja, que convence logo

E reproduz a imagem, que está n'alma.

Bem como a luz ressalta mais co' a sombra

Co a singela modestia, brilha ingenho.
Excèsso de juizo as obras perde
Como excesso de sangue os corpos mata.
Outros na lingua põe todo o cuidado;
Estimao livros como estimaõ damas
Pello tráje somente; esquecem a alma.

Gabao assim; o estylo he muito bello

Tem dito: e nada cuidao no senti
Seja qual fôr, com elle se contentaõ
Sao come as folhas, as palavras, muitas
Dos frutos da rezao, indicao poucos.

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False eloquence, like the prismatic glass,
Its gaudy colours spreads on ev'ry place;
The face of Nature we no more survey,
All glares alike, without distinction gay;
But true expression, like th' unchanging sun,
Clears and improves whate'er it shines upon;
It gilds all objects, but it alters none.
Expression is the dress of thought, and still
Appears more decent as more suitable,
A vile conceit in pompous words express'd,
Is like a clown in regal purple dress'd:
For diff'rent styles with diff'rent subjects sort,
As several garbs with country, town, and court.
Some by old words to fame have made pretence,
Ancients in phrase, mere Moderns in their sense:
Such labour'd nothings in so strange a style
Amaze th' unlearn'd and make the learned smile.
Unlucky as Fungoso in the play,

These sparks with awkward vanity display

What the fine gentleman wore yesterday;

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He como o prisma, huma eloquencia falsa,
Que os seus matizes, sobre tudo espalha
Da natureza a face, entao, naõ vemos
Tudo brilha, he matiz, confuso, e alegre.

Mas a justa expressao, qual sol constante
Melhora, aclara aquillo que alumia
Doira os objectos sem que altere a essencia.
He das ideas traje, a expressao bella
Quanto mais propria, tanto he mais decente
Mas hum conceito vil, dito com pompa
He hum Pelam de purpura vestido:
Pois o estylo varea em cada assumpto,
Traje ha de corte, campo, e de cidade.
Com termos velhos muitos querem fama
Em phrase antigos, môços em bom senso
Tao trabalhoso nada, estranho estylo
Pasma ignorantes, mas faz rir os sabios.
Infeliz qual peralta na comedia

Que dezestrado, e presumido intenta
Imitár-os casquilhos bem fallantes,

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And but so mimic ancient wits at best,

As apes our grandsires, in their doublets drest.
In words, as fashions, the same rule will hold;
Alike fantastic, if too new, or old:

Be not the first by whom the new are try'd,
Nor yet the last to lay the old aside.

But most by Numbers judge a poet's song,
And smooth or rough, with them, is right or wrong:
In the bright Muse tho' thousand charms conspire,
Her voice is all these tuneful fools admire;

Who haunt Parnassus but to please their ear,

Not mend their minds; as some to church repair,
Not for the doctrine, but the music there.
These equal syllables alone require,

Though oft' the ear the open vowels tire;

While expletives their feeble aid do join,

And ten low words oft' creep in one dull line:

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Aremedár antigos n'este tempo

Fallar como fallavao, vale o mesmo
Que tomár
Com que nossos avós, faziaõ secia.

Em termos como em moda a regra he certa.
Fantastica igualmente, se sao novos
Guardaivos de uzár cedo, e se saõ velhos,
Ultimo nao sejais, para excluilos.

O canto numeroso he quanto basta,

Para muitos julgarem de hum poeta,

Suave ou rude, he mau ou bom, com estes.

A musa pode ter mil attractivos

O melomane, a vóz, he que lhe admira.

Quem pello ouvido; o Pindo, só frequenta
Naõ aproveita, he como esses devotos
Que as igrejas frequentao, pois lhe agrada
A musica inda mais do que 'a doutrina.

Nao querem mais, que sillabas medidas
Bem que abertas vogais cançem, o ouvido,
Quando expressivas n'hum mau verso ajudaō

por modelo as vestias d'abas

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