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Se as regras necessarias nao consulta.

Perto do circo Emilio, ignaro artista
N'huma estatua fiel em bronze esculpta,
Perfeitamente as unhas, os cabellos;
Mas no dezenho desgraçado, ignora
Como deve juntár de hum todo as partes:
A compôr deste modo antes quizera
Ter disforme o naris, e os olhos vêsgos.

Pezai bem a materia, que tratareis. Quando escreveis, medi as vossas forças. Ensaiay, com que podem vossos hombros, Se o assumpto vos fôr proporcionado, Nunca vos faltará phraze eloquente, Ordem lucida, e graças no discurso.

O merito das Obras, a belleza

Consiste em pôr no lugár proprio as coizas,

Dizer antes, o que antes dizer déve,

Transpôr aquillo, que mais tarde agrada.

Do que convem, uzar; e omitir quanto Sem graça ou força, inutilmente occorre. с

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Dixeris egregiè, notum si callida verbum

Reddiderit junctura novum. Si fortè necesse est

Indiciis monstrare recentibus abdita rerum,

Fingere cinctutis non exaudita Cethegis

Continget, dabiturque licentia sumpta prudenter.

Et nova factaque nuper habebunt verba fidem, si

Græco fonte cadant, parcè detorta. Quid autem

Cæcilio, Plautoque dabit Romanus, ademptum

Virgilio, Varioque? ego cur acquirere pauca

Si possum, invideor; cùm lingua Catonis et Ennî

Sermonem patrium ditaverit, et nova rerum

Nomina protulerit? licuit, semperque licebit,

Signatum præsente notâ procudere nomen.

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Parco em palavras, delicado, e cauto

Hade sempre agradár, o author astuto

Que os termos velhos, remoçar com arte;

E quando carecêr de signais novos

Para novas idêas; fôr achallos

Em thesouros ignotos aos Cethegos,

E asriscár sem temôr hum termo affoito;

Se a prudencia o condus, o povo aplaude.

E as palavras de fabria recente,

Terao valôr; e mais se derivarem

Com pouca corrupçao, da Grecia, ou Latium.
Nao penseis que os Romanos concedessem
A Cecilius, a Plauto, o que negavaõ

A Varrius a Virgilio, e que amim mesmo
Prohibissem as honras, que alcansaraõ
Ennio, Catao enriquecendo a lingua
De têrmos expressivos, picturescos.

Sempre licito foy, e serà sempre

Enxertar no discurso, huma palavra

Comtanto, que o costume a naõ repróve

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Ut sylvæ foliis pronos mutantur in annos,

Prima cadunt: ita verborum vetus interit ætas,

Et juvenum ritu florent modò nata vigentque.

Debemur morti nos, nostraque: sive receptus

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Terrâ Neptunus, classes Aquilonibus arcet,

Regis opus sterilisve diù palus, aptaque remis, 65

Vicinas urbes alit, et grave sentit aratrum:
Seu cursum mutavit iniquum frugibus amnis,
Doctus iter meliùs. Mortalia facta peribunt:

Nedùm sermonum stet honos, et gratia vivax.

Multa renascentur, quæ jam cecidêre; cadentque 70 Quæ nunc sunt in honore vocabula, si volet usus,

Quem penes arbitrium est, et jus, et norma loquendi.

As florestas no anno as folhas mudao,

As primeiras, primeiro caem por terra,
Tais as palavras obsoletas morrem,

E novas com vigôr juvenil brilhao.

A' morte nós, e tudo nosso pága

Tributo inevitavel, esse Lago,

Obra digna de hum Rey, que contra os ventos
Abriga de Neptuno as largas ondas,

E defende as esquadras nas procellas;
Essa Lagoa esteril, que primeiro
Se navegava, e propria aos rêmos era;
Onde hoje o arado sublevando as leivas,
Celeiro faz das proximas cidades ;

Esse Rio, que as messes devastavá
E que hoje docil, encanado corre;
Dos mortais essas Obras todas morrem.
Mal podéraõ os têrmos durár sempre,
De viveza immortal, e graça ornados:
Muitos renascem, que esquecidos erao,
E cahirao aquelles que hoje houramos,

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