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XvIl era esta região qualificada de campos geraes, assim conhecidos desde o morro da Boa Vista (municipio de Pouzo Alto ) até os confins da Bahia ( via rio das Velhas e S. Francisco ).

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A menção do muito cristal, originario do cainpo grande, faz coahocor que os enviados de Martim Affonso andarão pela serra do Itstiaya ou por sua circumviginhança; do que deprehendemos que havião tomado, em seu itinerario, a direcção segundo a qual abriu. se, no começo do seculo XVII, o chamado caminho novo, do Rio de Janeiro para Minas Geraeg ; o qual, como se sabe, dirigia se polo valle do Parahybuna.

Nos tempos primitivos havia, pois, um caminho directo entre o porto do Rio de Janeiro e a serra do Itatiaya. Prolongava-se 0989 caminho pelos valles do rio das Velhas e S. Francisco.

Outro caminho contemporaneo era por certo o que ia do littoral, provavelmente Paraty (5), pels. Mantiqueira e campos geraes om diro. cção á bacia do rio Doce. Na paragem da Paranpeba ( S. Caetano, municipio de Queloz ) este caminho cruzava com a linha Rio de Janeiro Parahybuna Paraupeba Itatiaya Rio das Velhas ( 6 ), etc.

Si Martim Affonso houvesse estabelecido no Rio de Janeiro povoa. ção, certamente ficaria mantida e frequentada a communicação com o campo grande ; o que porém não succedeu.

Fundado muitos annos depois da cidade de S. Sebastião, o cami. nho directo do campo grande, q!!e som duvida serviu para a retirada dos Tamoyos expulsos por Men de Så, foi pouco ou quasi nada aproveitado pelos portuguezes, parecendo haver ficado por longo tempo conhecido somente dos indios até que delles emanou, presumivelmente, o conhocimento que serviu de base á abertura do caminho noro.

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(5) Temos para nós que a garganta ou passo da Mantiqueira, onde atravessa a estrada de ferro Minas e Rio, primitivamente servia para communicação do littoral, provavelmente Paraty, com o paiz de serra acima. O caminho atravessava o Parahyba na paragem. da Cachoeira.

6 ) Escusado é dizer que uma parte desses nomes ainda não existião, geo graphicamente considerados.

como se

Segundo Varnhagen (7), o donatario da capitania de Porto Seguro, Poro do Campo Tourinho, fundou a sua primeira villa no proprio monte onde Cabral deixára plantado o signal da redempção. Os gentios do paiz parecião então ainda man808 o trataveis apresentarão aos primeiros descobridores.

Salvo algumas assaltadas que derão á nova colonia, esta gosava de alguma sogurança e tranquillidade relativamente a outras capitanias, ficando os indios alli de paz e amizade com os portuguezes. (8)

Assim é que o ponto do territorio brasileiro onde desembarcou Pedro Alvares Cabral foi tambem aquelle donde mais facilmente entabolarão-80 communicações com o interior do paiz, territorio de Minas Geraes. Taes communicações já erão praticadas desde os primeiros tempos do estabelecimento da villa de Porto Seguro, quando consta (1538) que os portuguezes

da nova

colonia entravão pela terra dentro o andavão lá 5 o 6 mezes.

Por esse tempo já se tinha levado a Porto Seguro, communicada pelos indios, a noticia da existencia de minas de ouro no interior do paiz (9),

a

(7) Historia Geral do Brasil, Madrid, 1854, pag. 153. Diremos – Varnhagen, em vez de visconde de Porto Seguro, por nos referirmos á primeira edição da sua obra.

(8) Esta situação lavoravel ás explorações do interior por via de Porto Seguro foi mais tarde transtornada pela invasão dos Aymorés.

19 A noticia desse facto remonta aos primeiros tempos a partir do descobrimento do Brasil, tendo sido colhida pela primeira expedição exploradora do littoral, 150–1502. De regresso em Lisboa escreveu Americo Ves pucio àcerca dessa viagem una carta em que, seferindo-se ás terras d Brasil, diz :

« Metaes nenhuns ahi se encontram, excepto o ouro, do qual ha abundancia, si bem que desta viagem nenhum comnosco trouxemos ; mas deramo nos delle noticia os habitantes, allirmando que nos sertões havia muitomas que não o estimavam nem apreciavam. » (Rev. do Inst. Hist., XLI, 1878, Parte I, pag. 26.

No mappa de Ruysch, 150s, sobre a região denominada Terra Santa Crucis acha-se exarada uma legenda que diz :

.... Insunt margaritæ atque auri maxima copia. » Desse mappa ha uma reproducção inserta na mesma Rerista, XL, 1877), Parte II, junto á pag. 374.

A noticia colhida por Vespucio referia-se sem duvida ao supposto ouro da serra Sol da Terra.

Desse ouro em maxima abundancia, que os indios não estimavão nem apreciavão, não appareceu jámais uma prova de realidade e muitas diligencias se fizerão para achal-o.

Desde o descobrimento do Brasil, muitos annos se passarão sem que se tivesse visto amostra de ouro deste paiz. Em carta datada de Ruão, aos 9 de fevereiro de 1933, fazendo sentir a d. João III a necessidade de se

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o tondo alli chegado Felippe de Guilhem (10) tirou disso instrumento que remetteu a d. João III impetrando sou favor para buscar, o dar maneira como fussem descobrir as ditas minas (11).

Queixava se Guilhem de não haver obtido solução, o que deve sem duvida attribuir se a ter o governo da metropole preferido commetter osta negocio aos donatarios das capitanias. Ha indicio de havelo foito ao da do Pernambuco, Duarte Coelho Pereira, que em carta datada de Olinda a08 27 de abril de 1542, assim dava contas a d. João III : «quanto, senhor, ás cousas do ouro, nunca deixo de inque

bem que

voar o Brasil, dizia o dr. Gouveia : « aproveitarão a terra, na qual não se sabe se ha mina de metaes, como pode haver, e converterão a gente á fé, etc. » (Brasil Ilistorico, 2. série, 1, pag. 161).

A primeira amostra de ouro, de que ha memoria, appareceu em 1551 ; mas este não era da mesma casta nem occorria sob a mesma fórma geologica daquelle que se inculcava em pomposas noticias.

(10) Acerca deste hespanhol refere Varnhagen obra cit., I, pag. 459) :

« Guillem havia sido boticario em Sevilha, onde chegára a fazer reputação como grande jogador de xadrez. Havendo descoberto um novo meio para observar as longitudes, passou-se em 15.5, a Portugal, esperando que ahi lhe premiassem e adoptassem seu invento (Navarrete e Hist Naut., pags. 173, 182 e seguintes. Foi primeiro, em 1527, empregado na casa da India. Em 1533 passou ao Brasil com Vasco Fernandes. » A' pag. 496, citando as obras de Gil Vicente, refere: « Ahi se diz tam

era Guillen grande logico e muito eloquente de muito boa pratica, que entre muitos sabedores o foigavam de ouvir ; disse a el-rei que The queria dar a arte de leste a oéste, que tinha achada.... fez-lhe el-re i por isso mercê de cem mil réis de tença, c'o habito e corretagem da casa da India, que valia muito. »

Pela sua carta de 1550, adiante citada, vê-se que tendo Guillem enviu. vado e perdido um filho, ficára com tres filhas. Allegando os seus muitos serviços não remunerados e a penuria em que se achava, pediu que S. A. The mandasse pegar a tença do seu habito dos annos que no aBrsil se lhe não pagarão.

Por alvará de 2 de abril de 135l no Brasil Historico do dr. Mello Moraes, 2.* série, I, Bii, pag. 215) mandou el-rei pagar-lhe a tença de 5)$ ) ) réis por anno a começar do 1.o de janeiro do mesmo anno.

Segundo Varnhagen, Guillem foi depois para Porto Seguro, como provedor, e ainda alli vivia aos 12 de março de 1351, com 71 annos de edade, pois se conserva uma carta que então escreveu e mais adiante irá citada.

11) Carta da Felippe de Guillem datada da Bahia aos 20 de julho de 1550.

No Brasil Hist., vol. cit., pags. 187-188.

O Instituto IIistorico do Rio de Janeiro possue copia dessa e de outra carta, as quaes figuram, sob n. 5.619, no Catalogo da Exp. ile lisi. do Brasil.

rir e procurar sobre o negocio o cada dia se esquentam mais as noras, mas como sojam daqui longe pelo meu sertão a dentro o se ha de passar por tres gerações do mui perversa o bestial gente e todos con: trarios uns dos outros, ha-se de passar esta jornada com

muito perigo o trabalho, para o qual me parece e assim a toda a minha gente que se não pode fazer senão indo eu, e ir como se deve ir e acometter a tal empreza para sahir com ella avante, etc. (12). »

Em outra carta (do 20 de dezembro de 1546) referia-se à almeja. da empresa do sertão como cousa ainda por se realigar (13) ; o que ticou definitivamente sem effeito (14).

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Thomé de Souza, o primeiro governador geral, trouxo a incumbencia de promover o descobrimento das minas de ouro (15). Che. gando á Babia, mandou chamar, da parte del rei, a Felippe de GuiThem, o qual se achava na capitania de Ilhéos. Tambom poz-so om correspondencia o novo capitão de Porto Seguro, Duarte de Lemos. Tratava-se do dar execução aquello emprehendimento.

Entretanto propalarão-se em Porto Seguro novas noticias referentes ás riquezas mineraes do sortão.

Em carta datada daquella villa aos 6 de janeiro de 1550 (16). parte final, refere o padre Manoel da Nobrega : « Dizem que aqui Bo encontrará grande quantidade de ouro que pelas poucas forças dos christãos não está descoberto, o oualmento podras preciosas ».

Outra noticia, o mais circumstanciada, foi transmittida por Fo. lippe de Guillem na sua citada carta, topicos seguintes :

e mie

(12) Brasil Ilist., vol. cit., pag. 179.
(13. Ibid., pag. 17.3.

A expedição que Duarte Coelho Pereira tinha estado preparando parece que se destinava a entrar navegando pelo rio S. Francisco a dentro; na carti citada, referindo-se elle á desejada empreza do sertão, diz : puz a fazer bragantins novos. »

11) No Tratado descript, do Brasil, 1.' parte, cap. IX, resere Gabriel Soares :

« Sobre esta pretenção (de descobrir o ouro veiu Duarte Coelho a Portugal, da sua capitania de Pernambuco, a primeira vez, e da segunda tambem teve desenho ; mas desconcertou-se com S. A. pelo não fartar das honras que pedia. »

(15) E de prata. V. nota co.

(16) Carta do Brazil, do padre Manoel da Nobrega, 1519 1109. Rio de janeiro, 1886, pags. 81 – 82.

« Sucodeo agora que este Março passado (17) viarão a porto se. guro negro8 (18) dos que vivem junto de um grande Rio (19), alom do qual dizem que está uma gerra junto delle, que resprandece muito o que he muito amarella, da qual sorra vão ter ao dito Rio podras da mesma cor, a que nos chamamos pedaços do ouro, quo della caem, e os negros quando vão á guerra pela banda de aquem apanbło do dito Rio os ditos pedaços, de que dizem que fazem gamellas para n’ellas darem de comer aos porcos, que para si não osam (20) fazer cousa alguma, porque dizem que aquelio metal • doença, pela qual rasão não ousam passar a ella e dizem que muito tomorosa por cauza do seu resprandor, a chamão-lhe Sol da terra.

« Com esta nova esteve toda a gente do porto seguro domovida ou (os) mais d'olla para o irem buscar, todavia não ousarão som o fazer saber a Thomé de Souza ; elle me demandou meo parecer, ou lhe disse o dei em escripto os ytens do que me parecia que devia mandar, e fazer para se melhor achar o com menos perigo e despeza, om tanto que o tempo do verão se chegava para poderem hir (21).

« Elle esteve determinado para me mandar ao descubrir porque è necessario para isso hum homem do muito siso e cuidado, e que gaiba tomar a altura e fazer rotero da vinda, o inda (22), olliar a disposição da terra e o quo nella ha porque som duvida á (23) lá esmeraldas e outras pedras finas, o como eu não dezejo mais que gastar a vida om sorviço de Deus a de Vogsa Alteza, disse que hiria

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(17) A carta é de ?) de julho de 1559.

18 Assim lesignava aquelles indios.

(19 Aliás rio Grande Jequitinhonha. O seu nome proprio, fallado pelos indios nesse tempo, era certamente Pard-gunssii ou Iguassi', dicção que em vez de ser tomada na accepção de nome proprio, embora traduzindo-se rio Grande, foi porém transmittida por Guillem nas palavras grande Rio – expressão qualificativa que melhor se apropriava ao S. Francis

produzindo-se assim um trocadilho ou erro de designação que, como veremos, veiu a ter mui grandes consequencias,

(20) Não usam.

21. Note-se aqui a verificação do concurso de circumstancias em que se deu a jornada de Martim Carvalho narrada por Gandavo, a saber: ticia levada pelos indios do sertão, alvoroço produzido na população de Porto seguro, disposição da maior parte para irem ao sertão, accrescendo consultas correlativas, com designação do tempo apropriado para a jornada, etc.

(22 Deve ser: da ida e da vinda.

23. Entenda-se: ha. Na carta do padre Nobrega e aqui apparece a noticia da existencia de esmerallas e outras pedras preciosas no territorio de Minas Geraes.

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